quarta-feira, 4 de março de 2015

Tolerância Humana a Impactos

Na maior parte dos choques graves, os traumatismos acontecem porque alguma parte do automóvel recebeu carga com aceleração superior à que o corpo humano poderia tolerar. Para um pedestre, por exemplo, o risco de morrer ao ser atropelado por um veículo é, de aproximadamente, 80%, se este circula a 50km/h e de 10%, se circula a 30km/h. A tolerância de um pedestre atropelado, por um automóvel, ao trauma será ultrapassada se o veículo estiver a mais de 30km/h.

Contudo, a maior parte dos países frequentemente admitem velocidades superiores. Em geral, a parte dianteira dos automóveis e ônibus não foi projetada para fornecer proteção aos pedestres, contra as lesões produzidas a uma velocidade de colisão de 30km/h ou maior.

Em ocupantes de automóveis, a utilização de cinto de segurança pode proteger até a velocidade de 70km/h, em caso de choque frontal e de 50km/h em caso de choque lateral. Poderiam tolerar velocidades maiores, se a interface entre a infraestrutura viária e o veículo tivesse sido bem concebida e conferisse proteção antichoque aos automóveis, por exemplo, mediante instalação de amortecedores de impacto nas barreiras de contenção das estradas.

Contudo, na maior parte das infraestruturas viárias, os limites de velocidade permitidos atualmente são muito maiores, apesar da ausência de interfaces de proteção entre veículos e objetos rígidos localizados na estrada e da utilização relativa dos cintos de segurança, sobretudo em muitos países de renda baixa e média.

Para prevenir as mortes e os traumatismos incapacitantes causados pelo trânsito, devem criar-se em todas as regiões do mundo sistemas viários melhor adaptados à vulnerabilidade física dos usuários, com a utilização de veículos e estradas equipados com mais elementos de proteção antichoques.


Artigo gentilmente cedido pela Dra. Ivana de Aguiar Mesquita, Médica Especialista em Medicina de Tráfego, com pós-graduação na FMUSP e residência médica na EPM-UNIFESP

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