sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Acidente de trânsito e o custo para o país

Artigo cedido por Dr Dirceu Rodrigues Alves Júnior - Diretor de Comunicação do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego)

O governo transita na contramão, parece não perceber a conta a ser paga com os acidentes de trânsito pelo próprio governo, pela empresa, pela sociedade como um todo, além da brutal queda da produção brasileira. Estamos perdendo vidas, nosso crescimento populacional caindo. Tudo nos leva crer que cairá a produção, arrecadação, investimentos e teremos dificuldades para pagar aposentados e pensionistas em curto prazo.

Precisamos acordar para o fato, as fatalidades e os sequelados no nosso trânsito, por completo abandono da classe política, causam prejuízos incomensuráveis. Revendo dados da Previdência Social, vejo que praticamente um terço dos acidentes de trânsito foi caracterizado como acidente de trabalho. Enfermarias, salas de pronto socorro e UTIs dos hospitais públicos abarrotados de vítimas do trânsito. Serviços de fisioterapia, reabilitação saturados. Recursos humanos escassos para atendimento a essa população. Vagas hospitalares, agendamento de exames e consultas limitados.

Mas é coisa lógica, quem está na rua está trabalhando ou indo e vindo do trabalho. Precisamos entender que acidente de trabalho não é só aquele que ocorre dentro da empresa, mas também aquele que ocorre no deslocamento do trabalhador da porta de sua residência ao local de trabalho, assim como no retorno. Isso é chamado de acidente de trajeto e como tal, é também um acidente de trabalho. Além disso, aqueles que são profissionais do volante e do guidão da motocicleta, quando no exercício da atividade sofrendo acidente será caracterizado como acidente de trabalho.

Com tudo isso, 252 mil cidadãos que estiveram envolvidos em acidentes de trânsito no ano de 2010 no nosso país, 94.789 receberam o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), que foram registrados na Previdência Social. O prejuízo causado à empresa e ao Estado é inestimável. Quantos incapacitados definitivamente estarão sendo sustentados pela sociedade? E no decorrer de tantos anos, milhares morreram ou se tornaram incapacitados definitivamente e que dependerão de todos nós para sua manutenção. Quantos já se encontram nessa situação? Esse é outro lado do custo dos nossos acidentes.

A prevenção é a arma a ser usada, atuando na educação desde tenra idade até a fase adulta conseguindo dessa forma mudança radical da cultura com relação à mobilidade. Cursos de formação de condutores condizentes, com treinamentos e experimentos em pistas próprias. Isso é o básico necessário que não tenho dúvida reduzirá de maneira substancial os graves acidentes urbanos e rodoviários que são estampados diariamente nos jornais. Isolar veículos pesados dos leves, dimensionar pista que atenda aos veículos pesados que são ampliados a cada ano. Pavimentar e sinalizar vias fazendo manutenção.

Mas não é só isso, fiscalização e multas severas em curto prazo teria caráter preventivo. Recolhimento da carteira nacional de habilitação e punições severas. Ainda, montadoras produzindo veículos mais resistentes ao impacto e com manutenção permanente, quando não realizada, estipular prazo de validade. E vai por aí, a prevenção multidisciplinar nos traria a um percentual bem diferente do que temos hoje. O custeio do acidente, do tratamento, da pensão, do auxílio acidente de trabalho e doença ocupacional, a queda da produção, o aumento do custo de produção e tudo mais, terá um decréscimo acentuado. E porque não se age nesses agentes causais? São múltiplos na verdade, mas há que se ter lideranças para imprimir força pluridimensional para conter esse absurdo que estamos a assistir. O governo sabe o que fazer, não entendo porque não faz.

A parceria de governo, ministérios, uma força política, a colaboração e participação efetiva da classe empresarial e da sociedade levará esse país a sair do terceiro lugar no rank mundial de óbitos no trânsito. Vale lembrar que ocupa esse lugar contabilizando apenas os óbitos, mas se fossemos comparar com a frota de outros países, o Brasil estaria em primeiro lugar desse fatídico rank.

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